Amigos… item necessário para a  sobrevivência quando falamos de brasileiros. Valorizamos tanto as amizades, que colocamos elas do lado da nossa família quando dizemos o que faz falta quando estamos longe.

Será que elas resistem à distância?

Desde que eu saí para morar em outro país, esta é a terceira vez que eu venho visitar o Brasil. Nas duas primeiras eu tentei encontrar vários amigos. Mandava convites para muitos deles que passaram momentos especiais comigo, alguns respondiam, poucos me viam.

Eu insisti, na segunda visita fiz a mesma coisa, chamei muitos e poucos apareceram. Mas claro, tudo tem o seu aprendizado, eu não ia cometer o mesmo erro três vezes. Dessa vez eu fiz diferente: vou falar só com quem eu mantive contato mesmo de longe!

Parece meio obvio né? Mas não é. Parei para tentar entender esse meu comportamento e percebi que era apego. Apego por aquelas amizades, por tudo de bom que um dia eu vivi com elas. Apego ao passado, a vida que eu tinha. Apego que me cegou e não deixou que eu percebesse que essas amizades acabaram.

Eu acho que por muito tempo quis evitar reconhecer que esse laço, que em muitos momentos parecia que ia ser para o resto da vida, já não existe. Para quem mora longe, a gente acha que a culpa é nossa, é da distância. Porém, a cada dia que passa eu tenho mais certeza de que a vida ia encontrar outra desculpa para essa amizade acabar: “Falta de tempo”, “Estou me dedicando ao meu filho”, “Esse trabalho não me deixa fazer mais nada”, “É que eu ando tão ocupado”…. Essas coisas que falamos, para não sermos rudes quando queremos dizer que essa amizade já não é prioridade.

Então, dessa vez eu me desapeguei! Não corri atrás de quem nunca mais deu sinal de vida, não tentei encontros que nunca saiam, parei de tentar recuperar amizades que já não existiam. E o que eu ganhei com tudo isso? Ganhei encontros cheio de trocas e conversas intermináveis.

Para esses amigos que eu encontrei, não importava o tempo que não nos víamos e a frequência com que nos falávamos. Aquele tempo sem se ver, não era motivo para uma conversa sem graça sobre o tempo louco de São Paulo. Era motivo de muitas perguntas e vontade de entender como aquele tempo tinha transformado os dois lados.

Amizades sinceras e muito delas novas! Passei a dar a mesma importância para amizades recém-nascidas que eu dava para as que levam comigo muitos anos.  Quando a gente se abre para isso, percebe que existem amizades certas para cada fase da vida. A gente só não quer ver. Ficamos tristes pelos que nunca mais nos procuraram, tentamos entender de que lado foi a culpa.

Não existe culpa, é a vida que continua.

As amizades simplesmente devem fluir. Elas não precisam de esforço, ele não existe se tiver um interesse mutuo de se ver.

Então aqui vai a minha resposta: as amizades resistem à distância! As que não resistem, acredite em mim: provavelmente não iam sobreviver nem se vocês fossem vizinhos. As amizades acabam mesmo e não importa se um dia fantasiamos que aquilo ia ser para sempre. Não podemos nos iludir esperando respostas que nunca chegam. Fique com as lembranças, não culpe ninguém por nunca ter te mandado mensagem. A culpa não é de ninguém, é da vida mesmo.

Eu agradeço pelos que passaram pela minha vida e deixaram lembranças, pelos que fazem parte da minha vida hoje, pelos que ficarão sempre do meu lado e pelas novas amizades que vão surgir.

Um beijo

Até a próxima postagem!